terça-feira, 1 de junho de 2010
Certa altura um peregrino (eu), decidiu escalar um monte que fazia parte dos
meus sonhos de menino, sabia á priori que as dificuldades iriam ser imensas para
alcançar tal objectivo, pois era algo ingénuo para tentar tamanha ousadia. No
primeiro passo que dei para este feito, fui confrontado por um pequeno insecto
que me avisou “Joaquim, senão fores diferente e humilde jamais chegarás ao cimo
deste monte” confesso fiquei algo assustado pois a altura era enorme, que quase
o pico do mesmo acariciava o céu. Cerrei os dentes, abri os olhos, respirei
fundo “vamos lá rapaz” disparou um dos meus egos (positivo). As primeiras
passadas foram para a minha curta sabedoria de então, “ eu vou conseguir, quero
e vou chegar lá”, de repente algo de intenso se apoderou de mim, a minha boca
ficou seca de tal forma que tive de tirar o bule que estava amarrado á minha
cintura.”Bebe, bebe, carrega energias para saciares a tua sede de caminhante”
rematou o meu ego (positivo), fiz o que essa minha faceta me pediu, molhei os
lábios e agarrei-me ao corrimão do meu sentimento, para que a dor da viagem
fosse mais complacente para comigo. Findo os primeiros 1000 degraus, parei para
descansar e comtemplar a beleza sem igual que era patrocinada por um lindo dia
de sol e por um orvalho matinal que me acariciava o rosto repescando-me a alma e
acalmando ao mesmo tempo o bater acelerado do meu coração. “Levanta-te e
caminha” ordenou-me uma das nuvens que por ali perto passava. Assim o fiz,
carreguei de novo ás costas a mochila dos meus desejos e antes que a perna
direita subisse mais um degrau apareceu o meu outro ego (negativismo), “Não vais
conseguir, estás exausto, estás sem forças para abraçar a tua pureza interior,
desce enquanto tens tempo” salientava esse outro estado de alma. Respirei fundo,
olhei em meu redor e para o interior do meu pensamento e antes que me
apercebesse soltei um grito que ecoou nos confins da minha mais nobre
existência, “Não ligues ao desespero Joaquim” segredou-me uma pomba branca que
descansava solenemente num ramo de uma árvore que acabara de nascer e me
acompanhava nesta minha subida ao monte dos meus anseios. “Segura esta minha asa
para voares comigo através do mais resplandecente sorriso que te inebria o
sentimento” concluiu a pomba da paz. Agradeci a oferta mas afirmei”isto é um
desafio pessoal, preciso de me encontrar de novo, e excercitar a minha curta
experiência que já é tão vasta como o meu universo” O caminho afinal existe, tem nome de mel mas apenas veste as
flores mais perfumadas deste longo caminho que continuarei a percorrer até parar
de novo vencido pelo cansaço. Se pensei em desistir de subir ao monte! Nunca,
sempre que tenho algo em mente e quando o desejo, consigo, embora por vezes
algumas mentes inócuas de sentimentos pensem, que não são descobertas por apenas
um gesto que brota do seu leve interior. Carente de descanso mas com a mente
cheia de energia, ainda tentei ser arrogante mas um dos meus egos não o
permitiu, faltava-me um degrau, “que faço eu agora? perguntei ao céu ao qual fiz
uma vénia”, o céu simplesmente encolheu as suas emoções e antes que eu pudesse
fazer algo, apareceu uma gaivota que me acenou como que dizendo, bem-vindo
humano, agora só tens de ser corajoso para subir esse teu último degrau ou então
para recomeçares a aventura que um dia quiseste plantar no teu íntimo. Decidi
subir o último degrau mas não quis ficar por lá muito tempo, os corajosos vivem
de adrenalina e não há tempo a perder, como a noite se punha no meu longinquo
horizonte, decidi descer o monte com mais sinceridade do que aquela que me
ajudou a subir e que faz parte integrante desta minha vida.
Valeu a pena subir o monte, valeu a pena soltar os receios que por vezes nos
iludem e fazem com que os corpos se sintam estranhos mesmo se conhecendo há
muitos séculos. Voltei ao princípio, voltei para ficar, até um dia que morra por
cá, então ai voltarei com a minha companheira de sempre a minha sinceridade. Escrito por Joaquim José Delgado 1/6/ 2010 Madrugada dentro.
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